A REALIDADE DO PECADO
E SUA IMPUTAÇÃO NA POSTERIDADE DE
ADÃO
SOB A PERSPECTIVA DA TEOLOGIA
CRISTÃ
João Serafim
Santa
Margarida - MG
2011
João
Serafim
A REALIDADE DO
PECADO
E SUA IMPUTAÇÃO
NA POSTERIDADE DE ADÃO SOB A
PERSPECTIVA DA
TEOLOGIA CRISTÃ
Monografia apresentada ao curso de Complementação
Teológica do CEFEP – Centro de Educação, Formação e Extensão do Profissional
como requisito parcial para a conclusão de curso.
Orientadora: Profª. Luana Curi
Santa
Margarida - MG
2010
Dedicatória
Dedico
esta pesquisa a Deus, que trouxe luz e revelação sobre a minha mente dando-me
capacidade de reconhecer quão miseráveis
pecadores somos, e que, por sua infinita graça e misericórdia proveu meios para
mudar essa condição através do sacrifício de seu unigênito filho Jesus Cristo,
abrindo um novo caminho de acesso a Ele que é Santo. A esse que me libertou e
me livrou do domínio do pecado, a Ele seja a glória e a honra para todo
sempre.
Agradecimento
Sou
imensamente grato a Deus pela revelação da sua graça por meio do Evangelho de
Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a quem devo a salvação desde quando na
benignidade se manifestou a mim, não pelas obras de justiça que havia praticado, mas segundo sua misericórdia.
Sendo eu pecador, salvou-me e, constituiu-me em um legítimo filho e herdeiro de
suas promessas com eterna esperança.
Minha
eterna gratidão à minha digníssima esposa Dária pelas suas palavras
encorajadoras e aos meus filhos Ester, Manassés e Luccas pela compreensão na
disponibilidade do tempo que poderíamos passar juntos, e foi direcionado a esta
pesquisa. Agradeço a Primeira Igreja Batista Renascer; cujo pastoreio está sob
minha responsabilidade pelos recursos e pelo tempo a mim disponibilizados.
Sou
infinitamente grato ao Pastor Jaider Rodrigues e ao Reverendo Joacyr Emeríck
pela cessão de material, sugestão e correção, sem as quais tornaria inviável
esta pesquisa.
Resumo
Procura-se,
neste trabalho, apresentar a realidade do pecado e sua imputação na raça
humana, sob a perspectiva da teologia cristã conservadora. Advoga-se o conceito
de pecado como ato e estado dentro de uma visão bíblica, com respaldo na
argumentação teológica de autores como Russel Shedd,
Raimundo Oliveira, Augustus Hopkins Strong, Charles Hodge e A.B.Langston.
Reconhece-se também a necessidade de uma análise profunda do termo pecado dada
a sua importância para a compreensão das demais doutrinas que compõem o
conjunto da Teologia Sistemática, em especial a doutrina de Deus, do homem, da
salvação. A definição de pecado foi discutida buscando apresentar sua origem e,
em seguida, suas conseqüências na raça humana. Argumentou-se que, conforme os
teólogos conservadores citados acima, o princípio essencial do pecado é o
egocentrismo, daí a depravação e a morte espiritual a todo o gênero humano. O
debate teológico em torno da transmissão do pecado é histórico e remonta à era
da igreja primitiva, por isso procurou-se fixar teorias relacionadas e
ordenar-se a coesão bíblica da transmissão do pecado, enfatizando a decadência
da raça humana decaída mediante a universalidade do pecado herdado dos
primeiros pais. Teorias científicas e ensinamentos modernos foram apresentados
com o propósito de mostrar que, de modo algum, neutralizam a doutrina cristã
sobre a realidade do pecado.
Palavras-chave: Adão; ato; estado; imputação;
pecado.
Summary
It
is sought, in this work, to present the reality of the sin and your imputation
in the human race, under the perspective of the conservative Christian
theology. Pleading the sin concept as an
act and slate inside of a biblical vision, with back-up in the theological argument fron authors as Russel
Shedd, Raimundo Oliveira, Augustus Hopkins Strong, Charles Hodge and A. B.
Langston. It is also recognized the need of a deep analysis of the term sin
given its especially importance for the understanding of the other doctrines
that compose the group of the Systematic Theology, mainly the doctrine of God,
of the man, of the salvation. The sin definition was discussed looking for to
present your origin and, soon after, your consequences in the human race. Its
was argued that, as the conservative theologians
mentioned above, the essential beginning of the sin is the self-centeredness,
then the depravity and the spiritual death to the whole mankind. The
theological debate around the transmission of the sin is historical and it
remounts to the era of the primitive church, for that it tried to notice
related theories and to order the biblical cohesion of the transmission of the
sin, emphasizing the decadence of the race human decline by the universality of
the first parents' inherited sin. Scientific theories and modern teachings were
presented with the purpose of showing that, in no way, they neutralize the
Christian doctrine about the reality of the sin.
Word-key:
Adam; act; state; imputation; sin.
AT
- Antigo Testamento
At
- Atos
Cit
- Citação
Cl
- Colossenses
Cp
- Capítulo
Dt
- Deuteronômio
Ec
- Eclesiastes
Ef - Efésios
Ez - Ezequiel
Fp - Felipenses
Gl
- Gálatas
Gn
- Gênesis
Hb
- Hebreus
Jo
- João
Lc
- Lucas
Mc
- Marcos
Mt
- Mateus
NT
- Novo Testamento
Op
- Operação
p
- Página
Pv
- Provérbios
Rm
- Romanos
Sl
- Salmos
Vol
- Volume
Zc
- Zacarias
I
Cr - Crônicas
II
Cr - Crônicas.
SUMÁRIO
2.1
O Princípio Essencial do Pecado...............................................................................15
9.1
Evolucionismo...........................................................................................................37
9.2
Determinismo............................................................................................................38
9.3 O
Hedonismo.............................................................................................................38
9.4 Ciência
Cristã............................................................................................................39
9.5
Ateísmo......................................................................................................................39
9.6 Seicho-No-Ê..............................................................................................................40
9.7
Neomodernismo.........................................................................................................40
Ao longo da história da
humanidade, o homem tem procurado formular suas teses sobre a existência do
pecado. As diversas idéias sobre o tema têm produzido uma volumosa e extensa
literatura sobre o assunto; desta variedade, surgem as inúmeras doutrinas que
adentram as escolas e igrejas.
O presente estudo, por
conseguinte, não pretende, acrescentar uma nova teoria sobre o pecado. Devido
aos inúmeros teólogos conceituados, com posições definidas sobre o termo,
proponho, ordenar uma posição teológica com premissas bíblicas e práticas nas
experiências humana, considerando sua relevância para nossos dias. Sobre isso
versará a presente obra caracterizando a gravidade do pecado na experiência
humana sob o prisma do reconhecimento do mesmo, considerando que o homem é
tendencioso e, por vezes, é enganado: “Enganoso é o coração, mais que todas as
coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá? “(Jr 27. 9).
Notoriamente vemos que
os homens sem distinção pecam e continuam tendo problemas causados pelos seus
próprios pecados. No entanto, não ficarão sabendo o motivo pelo qual eles têm
esses problemas ou motivo pelo qual a vida deles está numa constante confusão.
Existem aqueles como
Ananias e Safira que pecaram, (Atos 5. 1-10) “[...] Ananias por que encheu Satanás o seu coração, para que
mentisse ao Espírito Santo, e retivesse parte do preço da herdade?”, mas não
arrependem, nem confessam seus pecados a Deus. Achando que Ele os perdoará sem
um arrependimento, ficam com o coração endurecido em seus pecados e nunca são
resolvidos, muito embora o Espírito Santo possa estar convencendo-os, (Jo 16.
8) “e, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.”
Porém, com o passar do tempo, eles não mais ouvirão o Senhor alertando-os, por
resisti-Lho, (Is.57. 16) “[...] porque não contenderei para sempre,.. porque o
espírito perante minha face desfaleceria”.
Outros como os
Israelitas contemporâneos de Jesus, que acreditam, muito embora eles contem a
Deus os seus pecados, Eles não os perdoa de fato (Jo. 9. 39-41) “[...] se
fôsseis cegos, não teríeis pecados; mas como agora dizeis: vemos; por isso o
vosso pecado permanece”. O fardo desse pecado lhes dá um coração pesado, talvez
vivam sob uma escura nuvem da vergonha, culpa e condenação devido falsa concepção da doutrina do pecado.
A Confissão de Fé
Cristã de Westminister por sua vez, define o pecado como “qualquer falta de
conformidade com ou transgressão da lei de Deus” (HODGE, 1999, p, 163).
Entretanto, há uma infinidade de pessoas que rejeitam o pecado como fato e,
como conseqüência, colhem suas complicações, o que é notadamente exemplificado
como um paciente que recusa acreditar no diagnóstico médico. Exemplo: Se um
órgão está funcionando precariamente compromete os demais órgãos, ou seja, “um
abismo chama outro abismo” (Sl 42. 7). Louis Berkhof cita estudiosos céticos
como Shleiermacher, Júlio Mueller e Kant, que fixou sua “Rejeição da narrativa histórica
da origem do pecado e também a idéia da herança física do pecado” (BERKHOF,
1949), há uma busca para explicação plausível e até investimento de altos
valores em pesquisas como foi destaque na “Revista Isto É” (edição 2086 de 04
abr. 2009) sobre fenômenos sociais recorrentes em nosso tempo, como: violência,
drogas, corrupção e intolerância, ou seja, banalização da própria vida.
Atitudes que do ponto de vista lógico segundo o Dr. James Kennedy são
injustificáveis a não ser que se considere algo incomum chamado consequência do
pecado. Para o Dr. Kennedy esta corrupção de valores tem uma fonte “ Vivemos
dias quando é muito popular a idéia de que não existe um Deus diante de quem o
homem é responsável” (KENNEDY, 1981) idéia defendida pelos ateístas, afirma
este mesmo autor em seu livro “Por Que Creio”.
A qual tem insurgido nesta deteriorização social chamada crise das
civilizações modernas. Em uma visão teocêntrica classificamos como: Violação
das leis Divinas, o que denominamos pecado.
Os seres humanos de
todas as épocas e nações têm violado a lei de Deus com as suas ações (Rm. 3:
9-19 “[...] pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos
estão debaixo do pecado”; I João 5. 19
“sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno”; Ef 2. 2,3) “[...] e éramos por natureza
filhos da ira, como os outros também.”
A Bíblia Sagrada ao
descrever o estado do mundo antes do dilúvio, afirma que “a terra estava
corrompida à vista de Deus, e cheia de violência” (Gn. 6. 11). A narrativa sobre
o período anterior ao dilúvio é extremamente breve. Não obstante, no começo
dessa narrativa encontramos o episódio do assassinato de Abel por seu irmão
Caim (Gn. 4. 8), subsequentemente a bigamia de Lameque (Gn. 4. 19-23), bem como
o homicídio por ele confessado às suas mulheres; no final da narrativa há o
relato da total corrupção do gênero humano, com o predomínio da violência. O
dilúvio foi trazido pela ira de Deus contra as transgressões dos homens; Gn. 6.
1-22 “[...] o fim de toda a carne é vinda perante minha face; porque a terra
está cheia de violência, e eis que os desfarei com a terra”. Contudo, as suas
águas não purificaram o mundo do pecado. A iniqüidade continuou imperando tal e
qual acontecia antes do dilúvio. As
condições da humanidade, em todas as nações, eram como as que Paulo descreveu
no primeiro capítulo da sua epístola aos Romanos. Os filhos de Abraão,
escolhidos para serem um povo peculiar de Deus, foram separados do resto da
humanidade. Porém, apesar das vantagens religiosas que desfrutaram, o relato da
história judaica é pouco mais de um registro de rebeliões contra o Senhor e de
castigos que os atingiram por causa das suas provocações. Tão comum é a
iniquidade na terra que isso é intitulado de “o curso deste mundo” (Ef. 2. 2), e
as Escrituras declaram que “o mundo inteiro jaz no maligno” (I João 5. 19).
Dessa corrupção
universal nenhum ser humano está isento, “pois, não há homem que não peque” (II
Cr. 6. 36).
Para Ralph L. Smith, “A
Bíblia leva o pecado a sério” ( SMITH, 2005) e todos os que olham para o estado
da sociedade ao seu redor encontram provas da iniquidade humana. Crimes
multiplicam-se por toda a parte e a terra anda cheia da violência, tal como
sucedia na antiguidade. As leis restringem os crimes e a violência dos homens,
mas a própria necessidade de leis mostra a maldade que caracteriza a raça
humana. Guerras e opressões compõem, em grande medida, a história da nossa
raça; inúmeras obras de impiedade, que jamais encontram lugar nas páginas da
história, estão registradas no livro de memórias do Senhor, e serão trazidas a
lume no dia em que os homens haverão de ser julgados segundo as obras
praticadas por intermédio do corpo.
Para Alexander A.
Hodger, as próprias transgressões dos homens consistem em fazer aquilo que Deus
proibiu e deixarem de fazer aquilo que Deus ordenou, ao afirmar “O pecado é a
transgressão ou falta de conformidade com a lei Divina” (HODGER, 1999). Assim,
no primeiro caso temos os pecados de comissão e, no segundo, os pecados de
omissão. Todos os homens são em alguma medida culpados de ambos os tipos de
transgressão. Mesmo aqueles que se abstêm de crimes mais grosseiros, não
obstante, têm cometido muitos pecados e omitido muitos deveres, portanto,
segundo Smith que seguem a mesma linha do teólogo Edward J. Young, afirmando
que o pecado é o tema central da bíblia (SMITH, 2005, p, 364). Portanto,
considera fundamental a conceituação correta do pecado. Em sua visão o
conhecimento errado do termo obscurece a compreensão das demais doutrinas
básicas do cristianismo tais como: a doutrina de Deus, doutrina do homem, a
doutrina da salvação. Disto se infere a necessidade de formular uma doutrina
certa do pecado. Pois, o conceito cristão do pecado é básico em qualquer
consideração do significado da religião cristã. O homem em sua concepção
natural não assimila as coisas espirituais, 1Corintios 2. 14 “Ora, o homem
natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parece
loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.
Tomando como norma a
Revelação Divina, vamos fixar o conceito do pecado, de acordo com Augustus
Hopkins Strong, o qual baseia-se em textos bíblicos como 1Jo 3. 4, “...porque o
pecado é a transgressão da lei”, e, ainda, analisar as objeções que se tem
formulado contra ele.
Como
definiríamos pecado num compêndio de teologia?
Poderíamos reunir
tantas definições quantas escolas filosóficas há no mundo. E é lógico que a
definição de um Pársi
seria fundamentalmente diferente da de um teólogo cristão. Dentro do próprio
campo da Teologia Cristã encontramos definições diferentes. Um arminiano que
defende que “Não há, pois, razão alguma de o homem estar condenado, antes mesmo
de praticar o mal. Assim sendo, Deus imputa o pecado de Adão ao homem só quando
ele voluntariamente peca contra a Sua Vontade” (LANGSTON, 2001, p. 160), não sobrescreveria a definição de um
calvinista, que por sua vez defende que “Os homens que nascem totalmente
depravados, incapazes de se salvar ou escolher o bem em questões espirituais”(
ou seja incapazes de mudar o destino), (SPROUL C. R, 2011).
Uma boa definição,
porém, bastante geral, seria a do Catecismo de Westminster:
“Pecado é qualquer falta de conformidade
com a lei de Deus ou qualquer transgressão desta lei”, conforme (HODGE,
1999, p. 162).
Um arminiano subscreve
a definição dos doutores da confissão de fé Westminster. Na concepção da
teologia católica romana, o pecado é definido como transgressão da lei divina.
Entretanto o teólogo Augustus H. Strong apresenta sua definição sendo como:
“Falta de conformidade com a lei moral de Deus quer em ato, disposição ou
estado” (STRONG, 2007).
A Bíblia dá algumas
definições de pecado: “O pecado é iniquidade” ou ”o pecado é a discrepância da
lei” (I João 3. 4). ”Revolta da criatura contra o criador”. “Aquilo que quebra
a comunhão com Deus.” “ É uma vontade
pervertida“ (Rm. 7. 23). “É uma inclinação interior” (Mt 5. 21, 28, 30). “É a
rebelião contra Deus” (Rm 2. 14, 15 e Gn 2. 16, 17). “É a transgressão” (Gn 2.
16, 17 Cr 26. 16, 18). “É algo relacionado com a incapacidade espiritual
(destorcido ou deformados)” (Rm 1. 21; 28. 3 ). “É o cumprimento incompleto dos
padrões de Deus” ex: Saul (1Sm 15. 23
Mt. 6. 2, 5, 16). “Substituir Deus” (Ex 20. 3, Mc 12. 30). “É egoísmo” (Tg 1. 14, 15; 4. 1, 3).
A questão principal na
definição do pecado é se o pecado é mero ato ou também um estado da alma. O Bispo Foster definiu: “O pecado é
algo que o indivíduo pratica; é um ato. Não há pecado sem que haja pecador; e
não há pecador sem que haja um ato cometido por ele, que o constitui
pecador”.(HODGE, 1999)
Na concepção
calvinista, conforme Strong o pecado foi definido como sendo “não ser, ou não
fazer o que Deus quer”. Strong afirmou ainda que: “Pecado é falta de
conformidade com a lei de Deus em ato, disposição e estado” (STRONG, 2007).
Haddn W Robison,
apud. Strong, declara:
Pecado não é
mero ato _ alguma coisa estranha do ser.
É uma qualidade do ser. Não há tal coisa como pecado à parte do pecador,
ou ato à parte do autor. Deus pune
pecadores, e não pecados. Pecado é um modo de ser; como uma entidade nunca
existiu. Deus pune pecado como um estado e não como um ato”. (STRONG, 2007, p.
978).
A questão que temos a
discutir é se o pecado é só ato ou se também é um estado. Consideremos alguns
argumentos em favor da tese que o pecado é também um estado.
O vocábulo pecado e
seus sinônimos são empregados nas Escrituras para indicar tanto ato como
disposição e estados (Salmos 51. 2 e 5) “[...] e purifica me do meu pecado”; 5
– “[..] em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”; Romanos
7. 17) “[...] o pecado que habita em mim”.
Nyer Pearlman disse:
“O pecado é tanto um ato como um estado, como
rebeldia contra a lei de Deus, é um ato da vontade do homem; como separação de
Deus, vem a ser um estado pecaminoso” (PEARLMAN, 1998, p. 93).
Thomas Paul Simmons argumenta sua defesa
do termo nesta ordem;
“Muita gente há, que
não quer ver que o pecado vai mais fundo do que um ato manifesto” (SIMMONS,
1954). Um pouco mais de reflexão mostrará que os nossos atos são expressões do
nosso ser interior. A pecaminosidade íntima então deve preceder os atos
manifestos do pecado. As seguintes provas escriturísticas mostram não só que o
homem é pecaminoso na conduta, como ele existe num estado pecaminoso – uma
falta de conformidade com Deus na mente e no coração.
1) As
palavras hebraicas e gregas traduzidas por “pecado” aplicam-se tanto a
disposição e estados como atos.
2) O
pecado tanto pode consistir de omissão em fazer a coisa justa como de comissão
em fazer a coisa errada. “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz,
comete pecado” (Tg 4. 17).
3) O
mal se atribui a pensamento e afetos.
(Gêneses
6. 5) “[...] e viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre
aterra”; (Jeremias 17. 9) “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e
perverso; quem o conhecerá?”; (Mateus 5. 22, 26) “[...] Eu, porém, vos digo que
qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra o seu irmão, será réu de
juízo”; (Hebreus 3. 12) “[...] que nunca haja em qualquer de vós um coração mau
e infiel”.
4) O
estado da alma que dá expansão a atos manifestos de pecados é chamado pecado,
expressamente. (Romanos 7. 8, 11, 13, 14, 17, 20) “[...] de maneira que já não
sou eu que faço isso, o pecado que habita em mim”.
5) Alude-se
ao pecado como um princípio reinante na vida.
Romanos
6. 21 “E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Porque
o fim delas é morte” (SIMMONS, 2011).
Nas Escrituras o mau
moral é relacionado, não somente aos pensamentos e afeições, mas também ao
coração dos quais estes procedem (Mateus 15. 19; Hebreus 3. 12, Lucas 6.
45, Isaias 1. 5, Jeremias 17. 9) “[...]
porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios,
prostituição, furtos, falso testemunhos e blasfêmias”.
O
estado ou condição da alma que produz os maus desejos e os maus atos já é
chamado pecado (Romanos 7: 8, João 8. 34, Romanos 7. 11, 13, 14, 17 e 20)
“[...] porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido
sob o pecado”.
Há na Bíblia alusões ao pecado como poder
permanente e princípio reinante, não somente na vida do indivíduo, mas na vida
da humanidade. Isto nos impede de olhar o pecado apenas como um ato (Romanos 5.
21; 6. 12) “[...] não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe
obedecerdes em suas concupiscências”.
As bem aventuranças (Mateus 5. 1-12) são
pronunciadas não sobre atos, mas sobre disposições da alma. Deus exige, em
primeiro lugar, boas disposições, porque sabe que destas procedem bons
atos. Não ter estas boas disposições já
é “errar o alvo”, já é pecado.
O
décimo mandamento (Êxodo 20. 17) proíbe a cobiça. Refere-se a um estado e não a
um ato.
No Sermão do monte, comentando a Lei, Cristo
diz que a ira já é quebra do mandamento: “Não matarás”; o desejo impuro já é
pecado (Mateus 5. 22-28).Tal afirmação está de acordo com Provérbios 24. 9 “O
pensamento do tolo é pecado, e abominável aos homens é escarnecedor”, o qual declara que o mau pensamento já é
pecado.
Considerando
os argumentos bíblicos acima, Langston conclui que a lei condenável toda falta
de conformidade com a natureza de Deus. Condenam as más disposições e os maus
hábitos tanto como os atos voluntários deliberados e impulsos.
De
acordo com Hodge, “o pecado é uma inclinação interior” Mt. 5. 21, 28, 30
(HODGE, 2001) no seu entendimento a existência desta má inclinação, ou uma
natureza depravada, é o que primeiro viola a Lei de Deus; assim, não é somente
uma infelicidade ser inclinado para o mal, porém, esta inclinação já é pecado.
A
inferência lógica das considerações que foram feitas é que o pecado não se
limita a atos da vontade. O apóstolo Paulo fala do pecado como lei controlando
os seus atos Rm 7. 8, 11, 13, 14, 17, 20) “[...] Ora, se eu faço o que não
quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim”. Os desejos impuros
arraigado no coração do homem, nos diz que o pecado não é somente ato
voluntário. Pecado é um estado da alma. O pecado que o décimo mandamento
condena não é somente o pecado de um ato, mas de um estado da alma.
2.1 O Princípio
Essencial do Pecado
Seguindo as definições
bíblicas temos o apóstolo João afirmando: “porque o pecado é iniquidade” (I Jo
3. 4). Já o apóstolo Paulo fala sobre a finalidade da lei que é: “[...] para os
devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos,
e para os que forem contrários a sã doutrina”(I Tm 1. 8-10). O pecado como
falta de conformidade com a Lei de Deus, está em ordem inquirir o motivo que
determina o pecado ou, em outras palavras, qual é o princípio essencial do
pecado.
Oliveira cita o ponto
de vista do racionalista Karl Barth, “O pecado pertence ao homem como um ser
criado” (OLIVEIRA, 1981). O pecado é um produto natural do corpo humano. O
homem peca por possuir uma natureza física. Este foi o ponto de vista de outros
teólogos liberais. Outro citado por Oliveira foi Emanuel Kant que considerou
que, “O pecado é parte inseparável do que há de mais profundo no ser humano”
(OLIVEIRA, 1981, p, 140). Para Kant o
pecado se origina nas limitações do ser humano.
Em linha oposta a este
pensamento de Barth, cito quem defende que o princípio essencial do pecado é o
orgulho; conforme asserção de Clifford E. Barbour e C. Hodge, pode ser: a descrença, o amor ao mundo, a
perversão da vontade, o egoísmo, a alienação de Deus, alienação de Deus e
oposição ao seu caráter e vontade.
E. G. Robinson, apud. Strong, declara:
“Enquanto o
pecado como estado é dessemelhante em relação a Deus, como princípio é oposição
a Deus e como ato é transgressão à lei de Deus, a essência dele é sempre e em
toda a parte o egoísmo. Não é, portanto, algo externo, ou o resultado de coação
vinda de fora; é uma depravação dos sentimentos e uma perversão da vontade, que
constitui o mais íntimo caráter do homem” (STRONG, 2007, p. 1016).
Jesus Cristo disse que o primeiro e grande
mandamento, de que dependia toda a Lei, era o amor a Deus. Se a virtude se
origina no amor a Deus, a antítese lógica e natural é que o pecado se origina
no ódio a Deus.
Para Strong e outros
teólogos cristãos como Langston, Sheed, Hodge, o pecado consiste no
egocentrismo, na escolha do eu como fim supremo da vida. Diz Strong: “Amor a
Deus é a essência de toda virtude. O oposto a isto, a escolha do eu como fim
supremo, deve ser, portanto, a essência do pecado” (STRONG, 2007).
Strong
seguindo o Dr. E. G. Robinson disse que: “pecado como estado é falta de
conformidade com a Lei de Deus, como princípio é oposição a Deus, como um ato
de transgressão a Lei de Deus, a essência dele, sempre e em toda a parte, é
egocentrismo” (STRONG, 2007, p. 1016).
A universalidade do pecado.
Todos os homens são
pecadores. “Todos pecaram” (Romanos 3. 23). Esta é a afirmativa solene da
palavra de Deus, confirmada pelo testemunho da história e da experiência
humana. Dentro das Escrituras, podíamos apresentar as seguintes passagens que
afirmam a universalidade do pecado (I Reis 8. 46) “[...] pecamos, e
perversamente procedemos, e cometemos iniqüidade”; Salmo 143. 2 “e não entre em
juízo com teu servo, porque à tua vista
não se achará justo nenhum vivente”; Provérbio 20. 9 “quem poderá dizer:
purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?”; Eclesiastes 7. 20 “na verdade que não há
homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque”; Romanos 3. 10, 12, 19, 20, 23 ”[...] como
está escrito: Não há um justo, nem um sequer”.; Gálatas 3. 22 “[...] as
Escrituras encerrou tudo debaixo do pecado”; I João 1. 8) “se dissermos que não
temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”. A historia
das religiões antigas revela que todos os povos têm uma concepção do pecado. A
frase que ouvimos a cada passo - “Não há ninguém perfeito” - atesta a convicção universal do pecado. Romanos 3. 10 “como está escrito: não há um
justo, nem um sequer”
Como se explica o fato
da universalidade do pecado?
As Escrituras
relacionam este fato doloroso à queda de nossos primeiros pais. Em Gêneses 3, encontramos a descrição da
tentação e queda de Adão e Eva. esta narrativa bíblica é simples. Os nossos
primeiros pais foram colocados no Éden, num ambiente favorável; possuidores de
uma inclinação para o bem e para a santidade. Foram, então, submetidos a uma
prova moral. O Senhor lhes proibiu de comer o fruto da árvore do conhecimento. O
Tentador induziu a Eva a comer do fruto da arvore. A tentação foi um apelo aos
apetites inocentes da natureza humana e, ao mesmo tempo, a negação da
veracidade de Deus e a insinuação de que Deus queria guardar as suas criaturas
em estado de ignorância e dependência. Eva seduzida por Satanás tomou do fruto e
comeu. Em seguida ofereceu ao seu companheiro. Adão, como inferimos do que diz
o apóstolo Paulo em I Timóteo 2. 14, foi seduzido antes pela sua afeição a Eva
do que pela mentira de Satanás, se no caso,
ele amar a sua mulher mais do que a Deus, ele adorou e serviu a criatura
em lugar do criador.
Em que consistiu o
primeiro pecado?
Diz Shedd que o
primeiro pecado de Adão foi duplo: A) interno e B) externo.
“A parte interna foi o
nascimento de inclinação pecaminosa. A parte externa foi o ato do pecado
propriamente dito, determinado pela sua má inclinação” (SHEDD, 2002).
Este pecado aberto,
como ato livre de tomar do fruto proibido, deve-se a concupiscência dos olhos I
Jo 2. 16 “porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a
concupiscência dos olhos e a soberba da vida, e não é do Pai, mas do
mundo”; Tg 1. 14-17 “[...] depois,
havendo a concupiscência concebido, dá a luz o pecado; e o pecado, sendo
consumado, gera a morte”. Foi apenas consequência do pecado interno. A queda
foi a mudança de propósito na vida dos nossos primeiros pais. Tinham, eles, a
vontade inclinada para o bem. O pecado constitui em mudar esta inclinação para
o bem numa inclinação para o mal. Ou seja, a queda foi a mudança de inclinação,
não o exercício de uma volição.
Strong, citando Tiago 1. 15, diz mais ou menos a mesma coisa: “Assim o homem
caiu internamente, antes do ato externo de comer o fruto proibido”(STRONG,
2007). A queda se deu quando o homem tomou a determinação fundamental pela qual
se escolheu a si mesmo em lugar de Deus.
Shedd explica a queda
do homem nestes termos: “Desejar o que Deus proibiu é preferir o seu eu a Deus,
e isto é pecado. Esta concupiscência foi o começo do pecado” (SHEDD, 2002).
Portanto, de acordo com
ele, foram os nossos pais culpados pelo pecado antes de comerem o fruto
proibido. Sim, eles foram culpados por terem escutado atentamente ao Diabo e
acreditado nele, antes de comerem o fruto.
A parte externa do
primeiro pecado de Adão foi o ato de comer o fruto da árvore de conhecimento.
Depois que surgiu no homem uma inclinação pecaminosa, seguiu-se uma volição
pecaminosa.
No décimo mandamento, o
que Deus proíbe é exatamente a concupiscência. O mandamento é para que o homem
não deseje o que Deus proibiu. Deus proibiu o adultério: desejar a mulher de
outro homem já é adultério. Igualmente Deus proibiu o conhecimento satânico do
mal e do bem: desejá-lo foi o primeiro pecado. Gn. 2. 15-17 “[...] mas da
árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que
dela comeres, certamente morrerás”; Êx. 20. 17 “[...] não cobiçarás a mulher do
teu próximo”.
Diante deste fato
tremendo da queda, que alterou a história da raça, surgiram algumas questões
que devem ser consideradas: levanta-se a hipótese como apenas uma perspectiva
de racionalizar as cogitações existente na mente humana.
Por
que Deus criou um ser que podia pecar? Diz-se que Deus podia fazer um homem que não
pecasse. Acredita-se que, por que Deus criou um ser capaz de pecar, somente
assim Ele podia criar um ser capaz de obedecer. A habilidade de fazer o bem
implica a capacidade de fazer o mal. A máquina não pode obedecer, nem
desobedecer, a criatura que não tivesse essa dupla capacidade seria uma
máquina, mas não podia ser um homem. A perfeição pode ser atingida, mas não
criada; Deus pode fazer um ser capaz de ação moral, mas não um ser com todos os
frutos da ação moral armazenado dentro dele. Strong disse:
“É possível que os anjos eleitos
pertençam a um sistema moral em que o pecado é evitado por motivos que
constrangem. Nós não podemos negar que Deus pudesse evitar o pecado num sistema
moral. Porém é muito duvidoso se Deus podia evitar o pecado no melhor sistema
moral. A mais perfeita liberdade é indispensável para atingir à mais alta
virtude”(STRONG, 2007, p. 640).
Criando o homem à sua
imagem e semelhança dotou-o Deus de absoluta liberdade. Tinha-se liberdade para
fazer o mal, tinha-se liberdade para fazer o bem. Assim como o homem atendeu a
tentação do Diabo, poderia também rejeitá-la. Se homem saísse bem da prova
moral a que foi submetido, seria confirmado na virtude.
Satanás caiu sem
tentação externa, logo o homem podia cair também, mesmo que o Diabo não o
tentasse.
A tentação do diabo
diminui a culpa do homem?
Strong cogita a
seguinte hipótese, a saber:” Deus permitiu que Satanás dividisse a culpa com o
homem, de modo que este pudesse ser salvo do desespero” (STRONG, 2007, p,
1044); Mateus 13.28 “[...] um inimigo é quem fez isso”. A tentação foi uma
oportunidade para o homem. Se ele a vencesse, confirmaria a sua virtude.
Somente porque a sua vontade se voltou contra Deus é que a tentação tornou-se a
ocasião de sua ruína.
C. H. Spurgeon, apud. Strong, declara:
“Todo mar fora
do navio não causa dano enquanto a água não penetra nele e enche-lhe o porão.
Portanto, é claro que o maior perigo é o interno. Todos os demônios do inferno
e todos os tentadores da terra não nos podem ferir se não houver corrupção
dentro da nossa natureza. A faísca voará sem dano se não houver estopim. O
nosso coração é o nosso maior inimigo; eis o ladrãozinho nascido em casa.
Senhor, salva-me do homem mau; e salva-me de mim mesmo” (STRONG, 2007, p. 1045)
Por que infligiu Deus
um castigo tão grave a um pecado tão pequeno?
Afirmou Dr. Massaharu
Taniguchi.
“O pecado não existe” (Revista Acendedor, Ed.75, p, 36, 1980). Na sua concepção o pecado de Adão e Eva foi
apenas uma falta muito pequeno e, ao mesmo tempo, julga-se que Deus foi
excessivamente severo na punição do homem.
Algumas considerações rápidas nos deixam ver que o pecado dos nossos
primeiros pais não foi tão pequeno como nos parece à primeira vista.
Segundo Langston o
castigo é devido a ofensa. No que diz. “A pena dada por Deus não representa uma
arbitrariedade, mas uma consequência justa do pecado cometido”, “ tudo quanto
lhe aconteceu a ele próprio e a raça são consequências justíssimas da decisão que tomou no
Éden”(LANGSTON, 2001, p. 156, 157), o
mandamento de Deus, proibindo ao homem comer do fruto da árvore, expressava a
exigência de Deus para que o homem se submetesse ao seu domínio. Deus não deu
outros mandamentos. Deu ao homem liberdade absoluta. Apenas aquela ordem, que
muitos julgam insignificante, era o que Deus exigia ao homem. O ato de o homem
comer do fruto proibido era uma insurreição contra a vontade de Deus. Aquela
desobediência revelava que a vontade do homem estava alienada de Deus e
inteiramente corrompida.
O pecado do homem,
portanto, foi grave e exigia uma grande condenação. O seu pecado não era apenas
o de comer do fruto proibido, era o de revolta contra Deus. Ainda, o que
agravava a culpa do homem é que Deus o avisara das consequências da
desobediência dizendo: “[...] Porque no dia que dela comeres, certamente
morrerás” (Gn. 2. 17). O homem sabia o que iria acontecer se quebrasse a ordem
de Deus e comesse o fruto proibido. No entanto, o homem se revoltou contra
Deus, desobedecendo a sua ordem. Tal
revolta exigia um grande castigo. Era necessário que Deus infligisse ao homem o
castigo que havia anunciado.
Por que Deus imputou o
pecado de Adão à sua posteridade?
A objeção toma a
seguinte forma mais popular: Por que os homens já nascem pecadores? Shedd
responde:
“Adão e Eva caíram, ainda que estivessem
colocados em situação favorável, propícia à virtude. Se nós nascêssemos na
mesma situação em que o homem foi criado, viríamos viver num mundo já
inteiramente poluído e prejudicado pelo pecado, portanto, em condições
desfavoráveis. Submetidos à mesma prova de nossos primeiros pais, contando
contra nós as condições desfavoráveis do meio e da educação, é certo que
cairíamos” (SHEDD, 2002, p. 281).
A unidade da raça
tornou possível a redenção por Cristo. Alguém disse que se Deus quisesse salvar
os anjos teria de providenciar um sacrifício para cada um deles. Mas porque toda
a raça caiu no pecado de Adão, toda a raça pode ser salva pelo sacrifício
expiatório de Cristo.
Envolveu uma questão de
escolha do bem ou mal, quando o homem faz sua opção em desobedecer a Deus,
nesse ato ele assume todos os riscos que a advertência do Criador previa,
automaticamente foi atingida toda família humana, considerando que, Deus o fez
como pai de toda raça humana. O
teólogo Raimundo F. de OLIVEIRA afirma
que:
“O ensino que o
texto bíblico relacionado com a árvore do conhecimento do bem e do mal encerra,
nada tem a ver com o tipo dessa árvore (
se mangueira, parreira, abacateiro ou macieira) , mas sim com o princípio da
prova que ela representava. Aquilo pelo o qual provamos nossos filhos não
precisa ser absolutamente mau. Podemos provar a capacidade de obediência de
nossos filhos proibindo-os de tocar na fatia de queijo do armário ou no doce ou
creme da geladeira. Assim sendo, o problema não era a árvore do conhecimento do
bem e do mal em si mesma, mas saber até que ponto o homem era capaz de manter
obediência à exortação do Criador”
(OLIVEIRA, 1981, p. 124).
Para Langston o pecado
de Adão teve origem no egoísmo: “Sendo o egoísmo a origem de todo pecado, é
também a origem de todos os males” (LANGSTON, 2001, p. 155). O homem quis ser
igual a Deus e para isso comeu, do fruto proibido aconselhado por Satanás.
Desde então o gênero humano tem sido vitima do egoísmo. O egoísmo é o coração
do pecado. A criança é egoísta. O menino, em seus primeiros anos, quer tudo
para si porque é egoísta por natureza. Destes fatos conclui que o egoísmo é
universal.
Sendo o egoísmo a
origem de todo pecado, é também a origem de todos os males. Todas as guerras,
todas as contendas, as intrigas, as calúnias, o roubo, o homicídio, as
deturpações, as violências; tudo quanto é mau e ruim originou-se no egoísmo. É
por isso que toda humanidade geme. “Porque sabemos que toda criação juntamente
geme e está com dores de parto até agora. E não só ela, porém nós mesmos, que
temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a
adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8. 22-23).
Sobre a questão da
imputação do pecado de Adão à sua posteridade,
Shedd embasado em Ezequiel.18. 20 ‘[...] o filho não levará a iniquidade
do pai”, considera que: “Nenhum ser humano é condenado a um castigo final e
definitivamente por causa do pecado original” (SHEDD, 2002). Todos que não
cometem transgressões pessoais são salvos pela aplicação da obra expiatória de
Cristo. Este é o caso das criancinhas que morrem antes de cometer transgressões
pessoais.
Strong afirma “A
doutrina do pecado original é a única interpretação ética dos fatos biológicos
como a hereditariedade e de males congênitos universais, que demandam base e
explicação ética” (STRONG, 2007, p. 1057, 1058).
Se for verdade que nos
foi imputado o pecado de Adão, também é verdade que nos foi imputado a justiça
de Cristo. Disto infere a interpretação do teólogo Wayne Gruden apontando o
Salmo 127. 3, “Eis que os filhos são herança do Senhor, e fruto do ventre, o seu
galardão”, “como uma indicação que a pessoa inteira, alma e o corpo, são uma
criação de Deus e, portanto não podem ser atribuídas aos pais somente” (GRUDEN,
2001, p. 484, 485).
No capítulo 5 de sua
epístola aos Romanos, Paulo demonstra que do mesmo modo que por uma ofensa
entrou o pecado no mundo e veio o juízo sobre todos os homens, também por um só
ato de justiça veio a graça (Romanos 5. 18). Torna óbvio que, como matéria, de
fato, nós ganhamos mais pela salvação em Cristo do que perdemos pela queda de Adão. Se for verdade que Deus permitiu que,
de acordo com as leis que Ele governa o mundo, nós nascêssemos pecadores,
também verdade, e gloriosa verdade, que Ele nos deu um salvador que realizou na
cruz do calvário um sacrifício suficiente para salvar toda a humanidade.
Interpretando os textos
abaixo Oliveira (OLIVEIRA, 1981, p. 133, 134) defende que: Quando Deus proibiu
o homem comer do fruto da árvore do conhecimento, disse-lhe qual seria a
consequência da sua desobediência: “Mas da árvore da ciência do bem e do mal,
dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”
(Gêneses 2. 17). A morte seria a consequência do pecado. E foi esta realmente a
consequência e compreendida morte física e espiritual. Adão não morreu
fisicamente no momento em que comeu do fruto proibido, mas desde aquele momento
passou a ser uma criatura que devia morrer; tinha em si os germens da morte. A
morte espiritual foi, porém, imediata. Esta morte espiritual era a separação da
sua alma de Deus, incluindo a perda da semelhança moral com Deus e a depravação
moral e religiosa, ou, em outras palavras: A cegueira do seu intelecto, a
corrupção de suas afeições e a escravidão de sua vontade. O castigo que o homem
sofreu incluía ainda a expulsão do jardim do Éden, onde gozava da presença de
Deus. Esta desobediência afetou não somente Adão, mas, todos os seus
descendentes conforme o apostolo Paulo afirma em sua epistola aos
Romanos 5. 12 “Portanto, como por homem
entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a
todos os homens por isso que todos pecaram”.
Romanos 5. 18 “Assim,
pois como por uma só ofensa veio o juiz sobre todos os homens para a
condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os
homens para justificação de vida”.
Uma verdade das
Escrituras é que o pecado de Adão foi imputado à sua descendência: Romanos 5.
12 “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a
morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos
pecaram”; Efésios 2. 3 “Entre os quais todos nós também antes andávamos nos
desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos
por natureza filhos da ira, como os outros também” e I Coríntios 15. 22 “Porque, assim como todos morrerem em
Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo”. Várias teorias têm sido
apresentadas para explicar a imputação do pecado original. A necessidade de explicar a imputação do
pecado original não decorre apenas das afirmativas da Bíblia, mas também do
fato da universalidade do pecado. Considerando o pecado, a primeira pergunta
que surge, exigindo uma resposta é esta: por que todos os homens são pecadores?
Strong nos dá em sua
Teologia Sistemática (STRONG, 2007), um esboço de todas as teorias que têm
surgido para explicar a imputação do pecado. Apresentamos, seguindo o teólogo
referido, as diversas teorias que procuram explicar a imputação do pecado são:
·
Teoria
Pelagiana: O único efeito do pecado de Adão sobre a
sua posteridade foi a de um mau exemplo. As almas são criadas inocentes e
livres de qualquer depravação, capazes de obedecer a Deus. Ninguém herda a
condenação de Adão.
·
Teoria
arminiana ou semi-pelegiana: O efeito do pecado de
Adão sobre os seus descendentes é que estes são destituídos da retidão original.
O pecado de Adão deixou uma marca em todos os homens, uma indestrutível
centelha de bondade e, com o auxílio de Deus, eles podem alcançar a virtude.
Ninguém herda a condenação de Adão.
·
Teoria
da Nova Escola: Adão transmitiu aos seus descendentes uma
natureza depravada e viciosa que leva o homem ao pecado. Mas esta natureza
depravada não é em si mesma, pecado. Ninguém herda a condenação de Adão, o
homem é culpado somente pelos seus próprios pecados.
·
Teoria
Federal ou do Concerto: Adão entrou num pacto com Deus.
Deus daria a Adão e à sua posteridade a vida eterna, se ele satisfizesse a
condição estabelecida de obediência. Mas
a sua desobediência, por outro lado, seria a corrupção e morte de toda a sua
descendência. Desde que Adão pecou, Deus
considera todos os seus descendentes como pecadores e os condena por causa da
transgressão de Adão.
Esta
teoria foi elaborada primeiramente por Cocdeins, teólogo holandês, 1603-1669.
Atualmente é ensinada por C. Hodge e seus filhos, cuja teologia é a base para os
dogmas da Igreja Presbiteriana (Confissão de Fé, p. 71-181; Catecismo Maior, p,
20-22). Defende-se, segundo este ponto de vista, que Adão foi constituído
representante da raça pela palavra soberana de Deus. Deus entrou numa aliança
com Adão, como seu representante, o cabeça federativa, prometendo outorgar
salvação, vida eterna, sobre a raça na única condição de sua obediência
perfeita (Oséias 6. 7; Hebreus. 8. 8), fazendo, porém, a pena de sua
desobediência à corrupção e morte de sua
posteridade. De acordo com os termos deste concerto, desde o pecado de Adão,
Deus considera todos os seus descendentes como pecadores e os condena por causa
da transgressão. Em execução desta sentença condenatória, Deus cria
imediatamente cada um da posteridade de Adão com natureza depravada e corrupta,
a qual infalivelmente resulta em pecado. Deve-se notar que, segundo esta teoria
de imputação imediata do pecado de Adão à sua posteridade, a corrupção de sua
natureza não é a causa da imputação mas
o efeito, Romanos 5.12 ensina que a morte física, espiritual e eterna passou a
todos os homens somente devido ao fato de que Deus judicialmente impõe a
penalidade.
·
Teoria
de Placeus: Todos os homens nascem depravados física
e moralmente. Alma criada por Deus torna-se corrupta por se ligar ao corpo. A
condenação de Adão é imputada ao homem porque ele nasce corrompido.
·
Teoria
de Agostinho: Deus imputa o pecado de Adão a toda a
sua posteridade em virtude da unidade orgânica da raça (BERKHOF, 1949, p. 122). A raça já existia no tempo de Adão,
não individualmente, mas seminalmente.
No ato livre de Adão, a vontade da raça humana se rebelou contra Deus. A
natureza que possuímos é a mesma natureza que se corrompeu em Adão. Sobre esta
teoria Strong cita o teólogo Naville que
afirma: “Nós existimos em Adão, não individualmente, mas seminalmente” (STRONG,
2007). Cada indivíduo é responsável somente pelos seus atos pessoais, ou, para
falar com mais precisão, é responsável pela parte pessoal dos seus atos. Porém
cada um, como homem, está solidariamente responsabilizado pela queda da raça
humana.
Embora esta teoria
tenha sido primeiramente elaborada por Agostinho (354-430 A.C.), pelo que recebeu
seu nome, a idéia foi ensinada por Tertuliano muitos anos antes. Lutero,
Calvino e quase todos os seus defensores modernos ao Shedd, Naville e Strong,
coaduna com o mesmo pensamento da imputação do pecado, que mais tarde foi
formalizado como “Pacto” a
fim de explicar a transmissão do pecado.
Segundo esta teoria,
Deus, em virtude da unidade orgânica da raça em Adão, imputa o pecado
imediatamente a toda a sua posteridade. No ato livre de Adão a vontade da raça
se voltou contra Deus e a natureza da raça se corrompeu. A natureza que
possuímos é a mesma que se corrompeu em Adão. Éramos coexistentes, coativos no
pecado voluntário de Adão.
Em prova desta teoria,
podemos dizer que o princípio de cabeça natural se acha em Hebreus 7. 10; que
dá mais lógica à explicação de Romanos 5: 12 que está em conformidade com a
justiça divina: que é a melhor explicação da origem da responsabilidade da
nossa natureza pecaminosa.
A única objeção de
importância é que a imputação deste pecado tem de ser idêntica a imputação da
santidade de Cristo Romanos 5. 14b. Shedd disse: Uma pessoa pode obedecer no
lugar de outras para salvá-las, mas não pode desobedecer no lugar de outras
para arruinar. Cristo podia sofrer por mera representação por seu povo ausente
para as sua justificação, mas Adão não podia pecar por mera representação por
seu povo ausente para a sua condenação. Pecado não é como justiça, não pode ser
imputado em duas maneiras meritoriamente e imeritoriamente, por dívida e por
dádiva. Paulo ensina que a justiça pode ser imputada por dívida (Romanos 4. 4),
ou por graça, sem obras (Romanos 3. 21, 4. 8). Mas não afirma isto com respeito
ao pecado. Este sempre é imputado ao homem meritoriamente. O céu é dado ao
pecador gratuitamente, mas não o inferno.
Há três teorias para
explicar a origem da alma em cada individuo e, consequentemente, o pecado
herdado de nossos pais. “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me
concebeu minha mãe” (Salmos 51. 5).
Segue-se a exposição do
pensamento dos teólogos Pelágio, Charles Hodge, Edward, Cocceius, Placeus e
Agustinho (STRONG, 2007, p. 1059-1111). Como exposto no livro de Teologia
Sistemática, 2007, sobre as teorias da
origem da alma.
a)
Preexistencialismo
A teoria da
preexistência é uma tentativa de responder a pergunta em pauta de uma
perspectiva especulativa. Para os defensores do preexistencialismo, as almas
dos homens já existiam em um estado anterior, e qualquer deficiência moral que
demonstrasse neste estado, teria grande implicação na vida material desta alma
(espiritismo, panteísmo). Alguns ícones teológicos desse pensamento são:
Orígenes, Scotus Erígena e Júlio Muller.
Em alguns
dos representantes da filosofia grega que adotavam esse ponto de vista, como
Platão e Filo, pode-se encontrar razões diferentes. Platão tinha em mente
explicar que a Alma possui informações e conhecimentos não derivados dos
sentidos. Filo pretendia compreender a prisão de sua vida, o corpo. Esses
pensamentos acabaram por influenciar Orígenes, que tentou explicar a disparidade
de condições em que os homens entram no mundo.
Nas
formas mais modernas desse pensamento, Berkhof cita os pensadores Kant e Júlio
Müler. Que para os mesmos “A depravação da vontade, ou sua deficiência moral,
só pode ser real a partir de um ato pessoal de autodeterminação em um estado
anterior ao da vida material” (BERKHOF, 1949). Assim, todos os homens que vivem
materialmente, tem suas definições finais determinadas por esse ato
pré-temporal.
Objeções à teoria da
preexistência
Strong faz
as seguintes objeções a este pensamento: (STRONG, 2007, p. 879-880).
·
Em primeiro lugar essa
corrente ideológica é vazia de bases bíblicas e filosóficas.
·
Esse pensamento tem origem
na visão dualista entre matéria e espírito, ensinado pela filosofia pagã.
·
Se a alma é preexistente, e
apenas um ato consciente de autodeterminação poderia explicar as deficiências
morais do homem, como não temos a menor lembrança desse estágio?
·
Se a alma é preexistente,
mas não é consciente de sua existência nem pessoal para tomar decisões, ela
deixa de explicar as deficiências morais do homem.
·
A existência anterior não
tem qualquer fundamento escriturístico;
·
Conflitante com a
perspectiva bíblica sobre punição eterna;
b) Criacionismo
A
teoria criacionista afirma que Deus cria diariamente almas para acoplar
em corpos que estão sendo gerados. A tentativa desta teoria é responder a
pergunta em pauta de uma perspectiva filosófica, mas com fundamentação
bíblica.Teólogos que defendem tal posição são: Berkhof, Hodge, Jerônimo e
Pelágio.
Os dois
últimos são símbolos de uma geração antiga de pensadores cristãos, que
influenciados pelos pensamentos de Aristóteles, chegaram a conclusão que Deus
criou imediatamente a alma de cada ser humano e a uniu a um corpo, na
concepção, no nascimento, ou em algum momento entre esses dois eventos.
Berkhof tem pensamento semelhante ao
demonstrado acima. Sobre isso Berkhof afirma que “cada alma
individualmente deve ser considerada como uma imediata criação de Deus, devendo
sua origem a um ato criador direto, cuja ocasião não se pode determinar com
precisão” (BERKHOF,
1949).
Argumentos
a favor do criacionismo
Normalmente
são encontrados três grandes argumentos em prol deste pensamento:
·
Na criação é demonstrada que
existe diferença entre a origem do corpo e da alma. No decorrer das evidências
bíblicas é possível notar que sempre existe algum tipo de separação entre esses
dois aspectos. Is.42. 5 “Assim diz Deus, o Senhor que criou os céus, e a terra,
a tudo quanto produz; que dá respiração ao povo que nela está, e o espírito aos
que andam nela”; Nm.16. 22 “[...] Ó
Deus, Deus dos espíritos de toda a carne, pecará um só homem, indignar-te-ás tu
contra toda esta congregação?”; Hb.12. 9
“[...] não nos sujeitaríamos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos”.
·
Este pensamento esmera-se em
manter una a alma, visto que é indivisível;
·
No tocante a Jesus Cristo,
como homem completo, o pensamento responde de melhor maneira o fato de que
Cristo não participou do pecado;
Objeções à teoria
Criacionista
Como observado,
o criacionismo é, em síntese, a declaração da criação direta de Deus para cada
alma. Sobre isso pode-se objetar que:
·
Se Deus é o responsável pela
criação das almas, e estas tem tendências depravadas, faz com que Deus seja
diretamente autor do mal moral;
·
Se as almas são criadas
absolutamente puras, Deus é culpado indiretamente pela criação do mal moral,
pois permite que uma alma pura venha a se perverter em um corpo depravado que,
com obviedade, a corromperia;
·
Se o pai natural é apenas
responsável pelo corpo, os animais tem maior dignidade que os homens, pois
reproduzem segundo sua própria imagem;
·
A atividade criadora de Deus
parece ter sido interrompida após a criação do homem, completo com alma.
·
A criação de Eva é bem
demonstrada pelo escritor bíblico. Nesta criação não se fala nada sobre a
origem da alma da Eva;
c) Traducianismo
O
Traducianismo responde a pergunta em pauta a partir de uma perspectiva tanto
bíblica como filosófica. Entretanto, as considerações do Traducianismo
encontram mais fortes evidências na literatura bíblica, ao contrário do
criacionismo. Porém é válido demonstrar que o Traducianismo e o criacionismo
são opções encontradas na história da igreja, e em ambos lados é defendida por
cristãos. O criacionismo foi a teoria grandemente aceita pelo oriente, enquanto
o Traducianismo, pelo ocidente.
Strong
assegura que:
“A transmissão
não simplesmente de características físicas, mas mentais, e espirituais nas
famílias e raças e especialmente as tendências morais uniformemente más e disposições
de todos os homens tem desde o seu nascimento são provas de que na alma assim
como no corpo derivamos o nosso ser de um ancestral humano” (STRONG, 2007, p. 888, 889).
O Traducianismo afirma
que:
“a raça humana foi
criada imediatamente em Adão e, com relação tanto ao corpo como à alma,
propagou-se a partir dele por geração natural, e todas as almas desde Adão são
apenas mediatamente criadas por Deus, o sustentador das leis de propagação que
foram originariamente estabelecidas por ele (BERTI, 2011).
Ou seja, a
alma tem origem a partir do momento da concepção, em um processo natural, e são
transmitidas de pais para filhos. Alguns dos representantes dessa corrente são:
Tertuliano, Rufino, Apolinário, Gregório de Nissa, Lutero, H.B. Smith, Augustus
Hopkins e Charles Ryrie.
Argumentos
a favor do traducianismo
Vários
argumentos poderiam ser demonstrados, tais como:
·
Está em harmonia com o
relato da criação, pois Deus soprou uma única vez o fôlego da vida no homem, e
deixou que ele se reproduzisse Gn. 1. 28, 2. 7 “[...] E Deus os abençoou, e
Deus lhe disse: frutificai e multiplicai, e enchei a terra” -7 “[...] E formou
o Senhor Deus o homem do pó da terra, soprou em suas narinas o fôlego de vida” ; a criação da alma de Eva estava incluída na
de Adão Gn. 2. 23 “[...] E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e
carne da minha carne” ; 1Co. 11. 8 “
Porque não provém o homem da mulher, mas a mulher do homem”.
·
A bíblia afirma que os
descendentes foram formados da carne de seus pais Gn. 46. 26 “ todas as almas
que vieram com Jacó ao Egito, que saíram de seus lombos, foram as mulheres dos
filhos de Jacó, todas foram sessenta e seis almas”; Hb. 7. 9, 10 “ [...] Porque ainda ele estava
nos lombos de seu pai quando Melquesedeque lhe saiu ao encontro” ; Jo. 3.
6, 1. 13 ‘[...] O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito
é espírito”; Rm. 1. 3 “ A cerca do seu filho que nasceu da descendência de Davi
segundo a carne”; At. 17. 26 “[...] E de um só sangue fez toda a geração dos
homens, para fazer habitar sobre toda face da terra”.
·
Explica de maneira mais
satisfatória a transmissão da depravação moral e espiritual, que é assunto da
alma, e não do corpo;
Objeções
à teoria Traducianista
Vários argumentos
poderiam ser demonstrados, tais como:
·
Se Deus só age imediatamente
em relação a sua obra criativa, após a criação, que será então a regeneração?
“A
teoria leva a dificuldades insuperáveis a cristologia. Se em Adão a natureza
pecou globalmente, e esse pecado foi, portanto, o verdadeiro pecado de cada
parte dessa natureza, não se pode fugir a conclusão de que a natureza humana de
Cristo também foi pecadora e culpada, porque teria pecado de fato em Adão”
(BERKHOF, 1949, p. 183).
Para Strong esta
teoria traducianista é abrangente no reconhecimento do elemento verdade e dá
pluralidade ao ponto de vista criacionista, pois a mesma da coerência o
desenvolvimento da espécie humana.
Langston (1988), Hodge (1999) e Berkhof (1949)
comungam o ponto de vista de que, como conseqüência do pecado de Adão, todos os
seus descendentes nasceram no mesmo estado em que ele caiu. Ele nos transmitiu:
a) Depravação, b) Culpa, c) Penalidade.
·
Depravação
- Compreende
a falta de retidão original e tendência para o mal.
As
Escrituras representam a natureza humana como totalmente depravada. Isto não
quer dizer que o homem seja inclinado para toda espécie de pecado. Há formas de
pecado que se excluem. Por exemplo, a avareza exclui a luxuria; o orgulho
muitas vezes exclui a sensualidade. Depravação não quer dizer também que o
homem não tenha impulsos para o bem. O pior homem tem às vezes rasgos de
generosidade. Os ladrões são muitas vezes leais para com seus comparsas. É
frequente observar-se nas prisões os assassinos desprezarem os ladrões. Eles
são capazes de perpetrar os seus bárbaros crimes, entretanto lhes repugna o
furto
Entretanto, enquanto
essa incapacidade é total no sentido de que pecador não pode por sua própria
volição mudar seu caráter e vida para pô-los em conformidade com a lei de Deus,
ele tem ainda remanescente de liberdade. Inabilidade não consiste na perda das
faculdades da alma, mas na falta de discernimento espiritual. O homem não pode
mudar o seu coração; regenerar-se; arrepender-se com tristeza segundo Deus; nem
exercer a fé salvadora. Mas a graça do Espírito de Deus capacita o homem a arrepender-se e crer para sua salvação.
·
Culpa
- Nós
somos culpados diante de Deus pelo pecado da
raça. As crianças que morrem
antes de chegarem a idade da razão e da transgressão pessoal incorrem nesta
culpa que herdamos de Adão. Em I João 5. 6 diz-se que Cristo veio “por água e por sangue” Shedd comenta
então: “Se não houvesse culpa na
depravação natural, Cristo viria para as crianças pela água somente e não pelo
sangue, por santificação e não por justificação”(SHEDD, 2002). A redenção das crianças implica que a criança
tem culpa tanto como depravação. A
criança tem uma alma racional; esta alma tem vontade; esta vontade está
inclinada; esta inclinação, como a do adulto, é para a criatura em lugar do
criador. Isto é culpável, e necessita de perdão, sintetiza Shedd.
Por este termo (culpa), Este mesmo autor afirma que o homem é merecedor do
castigo. Ele é inescusável por cometer pecado, sendo como é, dotado de
faculdades. Acha-se sob a obrigação de prestar satisfação. Incorre em culpa por
transgressão voluntária. Já para Langston, Deus estabelece diferença entre a
culpa do pecado original, isto é, o pecado que herdamos de Adão, e a culpa dos
pecados pessoais. Sua base escriturística é Mateus 10. 15 – 19. 14, - 23. 32
Lucas 12. 47, 48. Sem isentar ninguém do pecado original ele afirma. “Tanto a
criança como o homem não regenerado são “pecadeiros”; mas o que tem mais culpa
é aquele que por sua própria vontade peca mais” (LANGSTON, 1988, p. 167).
Culpabilidade
é resultado objetivo do pecado. Não deve ser confundido com a consciência (ou
senso) subjetiva dele. Há graus de culpabilidade (conforme descrito em Levítico:
12. 47, 8, Jó 19. 11 e Romanos 2. 1-29
“[...] Tu, que te glorias na lei, e desonra a Deus pela transgressão da
lei?..
· Penalidade - Por
penalidade queremos dizer aquele castigo que Deus, o legislador, infligiu sobre
a raça humana, pessoalmente, vindicando a sua justiça ultraída. Podemos resumir
a penalidade em seis palavras, a saber: morte, perdido, condenado, perdição,
castigo eterno. Notai que a penalidade não tem por fim a reforma do infrator.
Disciplina procede do amor (Hebreus 12. 6 “[...] porque o Senhor corrige o que
ama”; Jeremias 10. 24 ”castiga-me, ó Senhor, mas com medida, não na tua ira,
para que não me reduzas a nada” o de justiça (Ezequiel 28. 22, 6. 2), Nem
tampouco dissuadi-lo de praticar o pecado.
É
simplesmente a indicação da justiça de Deus.
Os homens sofrem o
castigo do pecado de Adão. Este castigo se relaciona à justiça de Deus e não ao
seu amor. As Escrituras indicam o castigo de Deus pela palavra “Morte”, que
compreende:
·
Morte
física - A separação da alma do corpo, com todos os
sofrimentos que a precedem e a determinam (Salmo 90. 7-9; Isaías 38. 17-18;
João 8. 44 “[...] Ele foi homicida desde o principio...” ; Romanos 5. 12, 14,
16, 17; I Pedro 4. 6).
·
Morte
espiritual – Separação da alma de Deus incluindo
todas as dores da consciência, perda de paz, tristeza de espírito.
·
Morte
eterna – Pode ser considerada como a parte culminante da
morte espiritual. Envolve o castigo de Deus sobre a alma e sobre o corpo
(Mateus 10: 28 “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma;
temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” ;
Hebreus 10. 31; Apocalipse 14. 11).
Antes de prosseguir no
desenvolvimento da tese, importa recapitular algumas das afirmativas que
fizemos e que define uma posição teológica em face da questão do pecado.
Afirmação
de posição teológica
Diante
do fato da universalidade do pecado e das passagens bíblicas que afirmam a
imputação do pecado de Adão à sua posteridade, fixamos uma doutrina sobre a
origem do pecado que resumimos nestes pontos:
O pecado de Adão
foi primariamente a mudança de uma inclinação para o bem numa inclinação para o
mal.
a) Adão
era representante natural da raça. Todos os homens estavam seminalmente em
Adão.
b) Todos
os homens são culpados diante de Deus. “Todos pecaram Rm 3.23”.
c) Sacrifício
de Cristo é suficiente para a salvação de todos os homens.
d) Ninguém
será condenado definitivamente pelo pecado de Adão.
Em
uma análise mais profunda do ponto de vista do teólogo Shedd sobre a culpa da
criança, afirma-se por ele uma inconformidade escriturística da qual assegura
que no tocante a universal depravação congênita e reação divina contra a mesma
sugerem as questões:
Que
as crianças na infância são salvas pela sua inocência, é antibíblico (Salmo 51.
5 “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”; Jó
14. 4 “Quem do mundo tirará o puro? Ninguém”;
Ef. 2. 3 “Entre os quais todos nós andávamos nos desejos da nossa carne,
fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”. Mas ao contrário, estão num estado de pecado
e precisam ser regeneradas por Cristo. Esta afirmação não é incoerente Mateus
19. 14 “Jesus, porém, disse; Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a
mim, porque dos tais é o reino dos céus”.
Mas, pelo contrário, o comprova.
Vir a Cristo é sempre a vinda do pecador para aquele que é o sacrifício de
pecador, o salvador.
As
crianças, porém, em comparação com os adultos, que pessoalmente transgridem as
leis divinas, possuem inocência relativa e certos predicados que ilustram as
virtudes do caráter cristão Dt. 1. 39 “[...] Os vossos meninos, de quem
disseste” Rm. 9. 11 “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem
ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por
causa das obras, mas por aquele que chama)” Mt 18. 3 “E disse: Em verdade vos
digo que, se não converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum
entrareis no reino dos céus”. Exemplos: plena confiança, submissão.
As
descrições da provisão da misericórdia de Deus como co-extensiva com a ruína da
queda nos leva a crer que aqueles que morrem na infância recebem salvação por
Cristo, como certamente herdaram o pecado de Adão. Como, sem ato pessoal,
recebem a salvação provida para elas por Cristo Rm. 5. 14 “No entanto, a morte
reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinha pecado à
semelhança de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir”; I Cor. 15. 22 “Porque, assim como todos
morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo”.
Por
que o homem se perde? Por que não crê. A criança não pode crer. Lógico que se
salva. As Escrituras não excluem em lugar nenhum qualquer classe de criança,
batizadas ou não batizadas, de pais crentes ou descrentes, nascida em terras
cristãs ou pagãs, dos benefícios da redenção em Cristo. Antes, as apresentam
como objeto especial do favor Divino. (Mt 18. 5 “E qualquer que recebe em meu
nome um menino tal como este, a mim me recebe” _6 “[...] Qualquer que
escandalizar um destes pequeninos”, _10 “[...] Vede, não desprezeis algum
destes pequeninos” e 14 “Assim, também, não é vontade do vosso Pai, que está no
céus, que um destes pequeninos se perca” Mt. 19. 14 “Jesus, porém, disse:
Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino
dos céus”; Lc 18. 16 “Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim
os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus” e Atos 2. 39
“[...] Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos”. Reconhece-se
que a bíblia exige a fé como requisito único da salvação, mas não é
incompatível com isso crer que, uma vez que Cristo amou o mundo e morreu por
todos Jo 3. 16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito,
para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”; II Cor. 5.
15 “E ele morreu por todos, para os que vivem não vivam mais para si, mas para
aquele que por eles morreu e ressuscitou” e Mc 16. 16 “Quem crer e for batizado
será salvo; mas quem não crer será condenado”. Aceitarem a Cristo numa outra
maneira além da fé pessoal, a qual exigida de todos os demais, e que
opera, no caso das crianças, uma obra especial da graça.
Langston
defende, que: “A bíblia nos dá entender que, se a criança morrer antes da idade
de pecado pessoal, isto é, antes de possuir discernimento do bem e do mal, será
salva pela graça de Deus mediante o sacrifício de Jesus Cristo” (LANGSTON,
1988, p. 167).
No
juízo final, a conduta pessoal será a base da condenação. A criança e outras
pessoas mentalmente deficientes são incapazes de transgressão pessoal; logo,
conclui-se que serão contados entre os salvos naquele dia Rm 2. 5-6 “[...] O
qual recompensará a cada segundo as suas obras”. Essa posição é também defendida por Charles
Hodge, Langston, B.B. Warfield e Loraine Boettner.
A teoria do
evolucionismo defende que, o homem é fruto do desenvolvimento de outras
espécies, segundo Charles Darwin. Assim sendo o homem tendo sua origem do
macaco não pode pecar. De acordo com o
Dr. Kennedy esta ciência é uma religião “Aquele que não reconhece que a
evolução é uma religião não sabe muito sobre evolução ”(KENNEDY, 1998, p. 37).
Já Myer Pearlman afirma que esta ciência nega ser o homem criado a imagem e
semelhança de Deus. ”Além disso, os animais não pecam; eles vivem segundo a
natureza e não experimenta nenhum sentido de culpa por seu comportamento”
(PEARLMAN, 1988, p. 86). Pearlman refuta a idéia evolucionista.
Para o teólogo Raimundo
R. Oliveira, a teoria da evolução não passa de uma falácia em sua afirmativa:
“É bom lembrar
que quando tratamos da evolução, estamos lidando com uma “teoria”, com
suposições, e não com uma ciência que lida com fatos e dados concretos que
possam ser comprovados”. Se lermos um compêndio sobre a evolução, encontraremos
com muita freqüência chavões tais como: “crê-se que...”, “admite-se que...”,
“talvez...”, “possivelmente...”, “mais ou menos” (OLIVEIRA, 1990, p. 82).
Assim sendo, se
a teoria evolucionista é tão vulnerável e falha, consequentemente o sistema que
ela advoga não há de subsistir. A
nulidade da teoria da evolução é mostrada principalmente à luz do texto bíblico
que diz: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas
narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gn 2. 7).
À luz da
revelação divina através da Bíblia, o homem já foi formado homem. O chamado
“Homem de Neanderthal”, ou “o homem de Heidelberg”, não tem em si um mínimo de
prova de que o homem no principio tivesse em si as características de um macaco
encurvado.
O africano de
elevada estatura, o pigmeu, o asiático de nariz achatado, o negro com suas
características distintivas, todos são variações comuns dentro da família
humana. Assim, também, o homem da antiguidade variava de um para o outro, e
também se diferenciava de nós, hoje em dia.
9.2
Determinismo
Ensina
que o homem é vítima da fatalidade, ou seja, guiado pelas circunstâncias, uma
das consequências práticas do determinismo é tratar o pecado como se fosse uma
enfermidade por cuja causa o pecador é digno de pena em vez de ser castigado.
Defende que uma pessoa não pode deixar de atuar de maneira como o faz, e
estritamente falando, não deve ser louvada por ser boa nem culpada por ser má.
O homem é simplesmente um escravo das circunstâncias.
Esta
teoria sustenta que o melhor ou o mais proveitoso que existe na vida é a
conquista do prazer e a fuga à dor, de modo que a primeira pergunta que se faz
não é: “isto é correto?”, mas: Trará prazer? “Nem todo o hedonista têm uma vida
de vícios, mas a tendência geral do hedonista é desculpar o pecado e
disfarçá-lo, igual pílula açucarada, com designações tais como estas: “E uma
fraqueza inofensiva”; “ é pequeno
desvio”; “é fogo da juventude”. Eles
desculpam o pecado com expressões como estas: “Errar é humano”. Defendem-se
argumentando: O que é natural é belo e o que é belo é direito.
Defende que o
pecado não é algo positivo, mas simplesmente a ausência do bem. Nega que o
pecado tenha existência real e afirma que é apenas um “erro da mente moral.
”.Homem pensa que o
pecado é real, por conseguinte, seu pensamento necessita de correção.
Mas,
depois de examinar o pecado e a ruína que são mais do que reais no mundo,
parece que esse tal “erro da mente mortal” é tão terrível como aquilo que toda
gente conhece por “pecado”, assim sendo não precisa punição.
Refutando o ensino da
Ciência Cristã quanto ao homem e seu pecado, a bíblia ensina que:
A)
O homem foi feito em retidão (Ec 7. 29)
B)
O homem foi advertido a não pecar (Gn 2. 16-17)
C)
O homem pecou por escolha própria (Gn 3. 6-7)
D)
Todos pecaram (Rm 3. 23)
E)
Só aquele que confessa seu pecado e o deixa, alcança do Senhor misericórdia,
perdão e justificação (Pv 28. 13; 1 João 1. 9; Rm 5. 1).(OLIVEIRA, 1982, p.
171).
Para
Pearlman o ateísmo passou a ser uma religião. Os seus defensores têm agido com
tanta veemência na sua negação sobre a existência de Deus que se dispõe a
gastar grandes somas de dinheiro para difundir suas teses. ”Ao negar a
existência de Deus, nega também o pecado, porque, estritamente falando, todo
pecado é contra Deus; e se não há Deus, não há pecado” (PEARLMAN, 1988, p. 85).
O homem pode ser culpado de pecar em relação aos outros, pode pecar contra si
mesmo, porém, estas coisas constituem pecado unicamente em relação a Deus.
Salmos 51. 4 “[...] Contra ti, contra ti
somente pequei, e fiz o que era mal à tua vista”. Ou seja, todo mal praticado
pelo homem é dirigido contra Deus, porque o mal é uma violação do direito, e o
direito é a lei de Deus.
Veja
o que o grande professor Louis T. More defensor do ateísmo afirma. “Quanto mais
estudamos a Paleontologia “ciência que estudam fósseis” mais certos ficamos de
que a evolução se baseia na fé somente” ( KENNEDY James,
1998, p. 37).
9.6 - Seicho-No-Ê
Este movimento define o
pecado como: “O pecado é como uma doença, os males e a morte, não passando de
meras ilusões. Não existe, pois Deus não o criou”.
Refutando:
A) - “Se o pecado inexiste, é de se
supor que Deus mentiu quando disse: “A alma que pecar, essa morrerá. (Ez. 18.
20).
B) - “Se o homem é perfeito, é de se supor que
Paulo mentiu quando disse: “Não que eu tenha já recebido, ou tenha obtido a
perfeição, mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui
conquistado por Jesus Cristo” Fp 3. 12.
Na visão teológica
defendida por Karl Barth principal voz do neomodernismo argumenta que, o homem
tornou-se pecador não pela queda do primeiro homem Adão.
“A entrada do pecado no
mundo, por Adão, não é um evento físico co-histórico com qualquer sentido”
(BARTH, 1919). Isso significa que o pecado não começou por uma livre escolha
pela qual o homem preferiu desobedecer a lei de Deus. De fato, segundo Barth,
“o pecado pertence à natureza do homem como ser criado” (BARTH, 1919). Em seu
ponto de vista, Barth assegura, que na qualidade de homem, até mesmo o Nosso
Senhor Jesus Cristo foi carne pecaminosa.
Se o pecado pertence á
natureza do homem, na qualidade de ser criado, pode ele, nesse caso ser perdoado e salvo do seu pecado? O
autor fala, sim, de perdão de pecado, mas “perdão” não significa, para ele, que
o homem é transformado e feito nova criatura em Cristo. Tudo quanto é criado é
pecaminoso, e o crente é tão pecador quanto o mais iníquo dos homens. Segundo
Barth, “o pecado habitou, habita e habitará no corpo mortal enquanto o tempo
for tempo, o homem for homem e o mundo for mundo” (BARTH, 1919, p. 189).
Oliveira usa a Bíblia
para refutar as teses de Barth dizendo que: O neomodernismo ou Barthianismo
interpreta a bíblia segundo a sua conveniência, ou seja, a tese defendida sobre
o pecado mutila a totalidade e a veracidade
bíblica. Pois Deus não é autor do pecado, nem cúmplice do mesmo.
Considerando esta idéia afirmamos que:
A)
– Ele não pratica perversidade, nem comete injustiça. Jó 34. 10 “[...] Longe de Deus esteja o
praticar a maldade”.
B)
- Ele fez o homem reto. Ec 7. 29 “[...] Que Deus fez o homem reto”.
C)
- O homem foi advertido a não pecar. Gn 2. 16-17 “[...] Mas da árvore do
conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela
comerdes, certamente morrerás”.
D)
- O homem caiu em pecado por sua própria escolha. Gn 3. 6 “[...] tomou do seu
fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” -7 “[...] Então
foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus”.
E)
- Aquele que confessa o seu pecado e o deixa, alcança do Senhor misericórdia e
perdão (Pv 28. 13 “[...] O que encobre as suas transgressões nunca prosperará,
mas o que as confessa e deixa, alcança misericórdia” 1 João 1. 9 “ Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e purificar de toda a injustiça”.
Langston, em seu livro
de Esboço de Teologia Sistemática, defende a teoria do criacionismo seguindo a
mesma linha de ensinamento do Santo Agostinho de Hipona, em que, “Deus imputa o
pecado de Adão, imediatamente, à sua posteridade por causa da relação orgânica
e vital entre Adão e os seus descendentes” (LANGSTON, 1988, p. 164). Ele mostra que, este ensino é o mais
coerente com as Escrituras. Porém, encontra objeções.
De acordo com Langston,
a primeira objeção é que não há pecado antes de idade de consciência própria; a
pessoa precisa chegar ao estado de responsabilidade antes de poder pecar. A
isto ele que pode não haver pecados pessoais antes do estado de consciência
própria, sem ficar com isso provado que não existe em nós uma natureza corrupta
ou o pecado de raça. As Escrituras afirmam que, já nascemos com uma natureza
corrupta, e, mesmo antes de chegar ao estado de consciência própria, a criança
revela esta verdade. “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado concebeu
minha mãe” (Salmo 51. 5).
A segunda objeção é que
o homem não pode ser responsabilizado por sua natureza pecaminosa a que ele não
deu origem por si mesmo. Esta objeção despreza a unidade da raça. Entretanto,
ninguém pode fugir à realidade de que faz parte da raça, cuja culpa se
distingue entre todos os homens. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelha,
cada um se desviava pelo seu caminho; porém, o Senhor fez cair sobre ele a
iniquidade de todos nós” (Isaias 53. 6).
A terceira objeção é
que o pecado de Adão não nos pode ser imputado, porque não podemos
arrepender-nos dele. Parece plausível a objeção, mas realmente não é. E, se bem
que nada tenhamos com o pecado pessoal de Adão, e que em nada tenhamos que nos
arrependermos dos nossos pecados pessoais, o pecado da raça é nosso, isto é,
somos parte integrante da raça e podemos nos arrepender daquilo que nos toca.
Podemos e precisamos rejeitar, pelo arrependimento, os pecados dos nossos
antepassados. É um repúdio necessário.
A quarta objeção é que
se os pecados de Adão nos podem ser imputados, também o pode a justiça dos
nossos pais. Isto é, se herdamos o mal da raça, podemos também herdar o bem dos
nossos pais. Porém isto não é uma conclusão necessária. A salvação é uma
dádiva, é uma graça de Deus, e aquele que a recebe não pode transmiti-la a
outrem. E, ainda mais, como raça ainda se acha no estado em que caiu como ainda
não foram regenerados. Todos os de que dela descendem nascem com uma natureza
corrupta. A raça toda ainda não foi regenerada, é ainda uma raça decaída. Somos
filhos dos nossos pais, somos filhos da raça também e herdamos o seu caráter.
Herdamos dela o pecado.
Considerando a
realidade do pecado na sua complexidade de interpretação, fica óbvia a
necessidade de um exame minucioso do termo, há de se convir que, a história e o
conhecimento do próprio homem é que nos oferecem subsídio e testemunham este
fato. Muitos pensadores como Hegel, Schleiermacher, Júlio Muller e Kant citado
por Berkhof (BERKHOF, 1949, p. 142) aparecem para negar, desculpar, ou diminuir
a natureza do pecado. Entretanto, observa-se como a liberdade do homem incluía
necessariamente o poder de escolher ou recusar o bem e o mal. Mas não pode
haver dúvida que o homem pudesse tomar o mal pelo bem. Ele não era infalível,
e, portanto, segundo Oliveira o homem estava sujeito a pecar.
“Evidentemente
Deus sabia que o homem haveria de pecar, pois ele é onisciente; isto não é a
mesma coisa que dizer que o homem foi abandonado ao pecado por Deus, ou que
Deus tenha sido o artífice da queda do homem. O pecado já existia antes mesmo
da queda, quando o homem o abraçou não o fez como se essa fosse a única opção
que tinha. Pecar ou não pecar era uma escolha do homem” (OLIVEIRA, 1981, p. 126).
A provação através da
qual Deus provou os nossos primeiros pais, não tinha como propósito tentá-los e
induzi-los inevitavelmente à queda. Ele tinha finalidade didática que, em suma,
visava conduzir o homem a uma maior perfeição, tornando-o apto para ser co-participante
das realizações de Deus na terra.
É importante lembrar
que, não obstante imperfeito, quando comparado com absoluta perfeição de Deus,
o homem não estava predestinado à queda e à destruição. Como expomos acima, o
homem caiu como resultado da escolha que fez em desobediência à orientação
divina. A queda não lhe foi a única saída. Ele poderia ter obedecido a Deus e
assim ser confirmado em obediência, mas não o fez, de sorte que, sendo livre e
usando sua espontânea vontade comeu do fruto proibido, descobriu que Deus não é
cúmplice do pecado do homem.
O homem
usou sua liberdade de maneira espontânea, entrou em decadência debelando em
toda a sua estrutura física e espiritual. Assim sendo: O primeiro casal humano
tinha deliberadamente abraçado o engano de Satanás e desobedecido a Deus. O
resultado é que “foram abertos os olhos de ambos” (Gn 3. 7). Eles reconheceram
o quanto se haviam desviados, mas já era tarde. Não podiam voltar atrás naquele
passo fatal e anular as conseqüências. A decisão deles de pecar contra Deus não
apenas os separou de Deus; fez com que Adão e Eva conhecessem o poder do mal ao
se tornarem escravo do pecado. Por fim, sucumbiram ao controle de
Satanás, o qual pôde exercer poder sobre eles por terem obedecido a ele em vez
de obedecerem a Deus.
Essa situação
persistirá enquanto a humanidade existir. Por meio do pecado a humanidade está
aliançada com Satanás, quer o homem perceba ou não. Jesus Cristo disse certa
vez: “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (João 8.34). Quem dá
lugar ao diabo é sempre o maior perdedor. Adão e Eva se conscientizaram do seu
erro, porém, tarde demais.
A teoria de Agostinho
de Hipona, que é a mais aceita pelos cristãos,
em sua ordem define que:
Deus imputa o
pecado de Adão, imediatamente, à sua posteridade por causa da relação orgânica
e vital entre Adão e os seus descendentes. Por ocasião da queda, a raça era
Adão e Adão era a raça. No ato livre de Adão, a vontade da raça revoltou contra
Deus. A raça humana pecou e caiu, e o pecado de Adão era o pecado da raça. Deus
reconhece-nos “pecadeiros”, membros da mesma raça humana decaída, por se haver
revoltado contra Ele. A raça que era unidade no começo da sua existência pecou
e caiu, e, naturalmente, todos quantos dela descendem nascem com uma natureza
corrompida, isto é, debaixo da condenação de Deus, porque toda raça estava
condenada (LANGSTON, 1988, p. 164).
Esta teoria baseia-se
nas Escrituras, embora tenha havido algumas objeções observada em nosso ultimo
parágrafo. Langston assegura que este é o ensinamento mais coerente no que
refere ao pecado e sua transmissão à posteridade de Adão.
Tentamos com este
trabalho mostrar que o pecado não é apenas um ato, mas também um estado, dado a
nossa união orgânica com os nossos primeiros pais, pelo que herdamos sua
natureza decaída e inclinação para o mal, revelando uma falta de conformidade
com Deus na mente e no coração.
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Traduzido Augusti Vitoriano. Volume I. São Paulo: Hagnus, 2007.
Todas as
referências bíblicas citadas neste trabalho encontram-se na Bíblia, Edição
Revista e Corrigida traduzida em português por João Ferreira de Almeida.
Pársi –
Relativo aos parsis, antigos
zoroastritas que imigraram e se estabeleceram na Ìndia, ou individuo parse de
grupo
Volição: Ato pelo qual a vontade se determina
alguma coisa.
Determinismo
remonta o inicio das antigas civilizações, ícones da cultura Grega, tais como
Aristóteles postulou seu comentário sobre prova-fato, da qual Hume Dewey nos
meados dos séculos XVI filosofou a cerca da prova-fato e a razão determinada.
Hippolyte
Taine.
Afixou a teoria do determinismo acima. Data imprecisa do século XVIII.
Objeções:
Controvérsias postuladas pelos gnósticos na era dos pais da igreja, que foi
amplamente combatido por Irineu e Orígenes que viveram nos primeiros séculos da
igreja.